ESCAFANDRISTAS
09 jul 2026 às 20:30
CLUBE DO CHORO BRASÍLIA - Brasília/DF
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Detalhes
🎶 Gênero Musical
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Informações
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Clube do Choro de Brasília
apresenta
ESCAFANDRISTAS
Amud | Frazão | Lacerda | Passos
Cantam Buarque
Criado em 2024 para celebrar os 80 anos de Chico Buarque, Escafandristas é um grupo formado por Alice Passos (voz, flauta, violão e percussão), Luisa Lacerda (voz e violão), Renato Frazão (voz e baixo) e Thiago Amud (voz e violão).
Com direção musical de Amud, o quarteto estreou em outubro daquele ano com grande sucesso, lotando as 2 apresentações e mais uma sessão extra na Casa do Choro (RJ).
A repercussão dessa estreia chegou aos ouvidos do homenageado, e em dezembro, os Escafandristas fizeram uma audição particular para Chico e toda a família Buarque.
Em 2025, o grupo seguiu comemorando o cancioneiro buarqueano. Com Amud temporariamente substituído por Giuliano Eriston, os shows seguiram alcançando lotação máxima, tanto no Rio com em São Paulo.
Em julho de 2025, o destino foi o estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro. O quarteto (já com Amud de volta) gravou as 14 faixas do álbum que será lançado em maio de 2026, e terá participações pra lá de especiais: do já citado Eriston, em “Brejo da Cruz”; do compositor e cineasta (e parceiro de Chico na peça Calabar) Ruy Guerra, declamando um poema seu em “O Que Será”; e de ninguém menos do que o próprio Chico Buarque em “A Volta do Malandro”, que conta também com um coro formado por suas filhas, irmãs e netas. O álbum tem previsão de lançamento para junho de 2026.
A presença de Chico Buarque nos ouvidos e na vida dos brasileiros já dura seis décadas. Desde a primeira vez em que A Banda passou na TV Record, no Festival da Canção de 1966, Chico instalou-se de vez no imaginário nacional. Ele é quem melhor traduz a alma brasileira, de suas aflições mais íntimas a seus grandes embates políticos.
Musicalmente falando, Chico é inventivo e explora caminhos complexos e sofisticados. No entanto, disso resultam canções cristalinas, simples ao ouvido e perfeitamente bem-acabadas. Poeticamente, é um domador de palavras e formas, e as coloca à serviço da expressão popular, do coloquial e da musicalidade. Diante de tamanha grandeza e longevidade, é natural que já tenha recebido toda sorte de homenagens. Foi enredo da Estação Primeira de Mangueira, ganhou musicais, festivais, Camões, Grammys, Jabutis.
Mas a prova maior de perenidade e relevância de uma obra musical, não é necessariamente os prêmios que seu autor recebe. Mas o fato de que essa obra segue sendo cantada, analisada,
esmiuçada, tatuada, imitada, problematizada. E as canções de Chico Buarque seguem nos fazendo pensar, chorar e rir.
O trabalho dos Escafandristas emerge, portanto, como um atestado de continuidade. Seus integrantes, embora mais jovens que Buarque, estão há muito tempo dedicados a um trabalho autoral, construindo seus próprios repertórios. Não se costuma vê-los interpretando grandes sucessos da MPB, aliás, raramente cantam músicas que não são suas ou de seus pares mais próximos.
Mas a obra buarqueana instiga, remexe e solicita um mergulho mais profundo, uma investigação mais atenta. E os Escafandristas escolheram tratá-la como fosse deles, revirando-a do avesso ou deixando-a intacta, de acordo com sua vontade. Seu maior mérito talvez tenha sido encontrar o equilíbrio entre respeito e rebeldia, entre a reverência e o abuso.
Escafandristas não é só mais uma entre tantas homenagens a Chico Buarque. Eles vão além: canções pouco conhecidas soam como grandes sucessos, enquanto grandes sucessos parecem inéditos. Eles parecem ter adentrado algum cômodo escondido da alma buarqueana e revelado novos tesouros, como se não bastassem os que já tinham em mãos.
O show de lançamento do álbum Escafandristas é um trabalho intimista, mas destinado à grandes plateias. Merece ser vivido, compartilhado, desfrutado, como se algo muito familiar nos
estivesse sendo apresentado pela primeira vez. É isso que têm atestado todos aqueles que viram os Escafandristas se apresentarem. Inclusive o Chico.
INTEGRANTES
Aos nove anos de idade, Alice Passos entrou pra Orquestra de Sopros da Pro Arte e fez sua primeira gravação profissional, atuando como corista para o disco Hora da Criança do Quarteto em
Cy. De lá pra cá cantou ao lado de nomes como Roberta Sá, Áurea Martins, Nelson Sargento, Gilberto Gil, Alaíde Costa, Dori Caymmi, Guinga, Ivan Lins, Teresa Cristina, Wilson das Neves, entre tantos outros. Lançou seu primeiro disco solo em 2016 - Voz e Violões e o segundo em 2020 - Ary. Em 2024, em parceria com Breno Ruiz, lança o disco Milagres pela gravadora Biscoito Fino.
Thiago Amud é compositor, arranjador, cantor e violonista. Lançou os álbuns Sacradança (2010), De ponta a ponta tudo é praia- palma (2013), O cinema que o sol não apaga (2018) e São (2021). Lançou seu último álbum, Enseada Perdida, em janeiro de 2025, com participações de Chico Buarque e Caetano Veloso. Além de assinar letra e música da maior parte de suas composições, é parceiro de artistas como Guinga e Francis Hime. Já foi gravado por Milton Nascimento, Alcione, MPB-4 e Mônica Salmaso. “Thiago Amud é um fenômeno de domínio dos meios expressivos da canção.” – Caetano Veloso.
O compositor e cantor Renato Frazão tem cerca de cinquenta músicas gravadas por nomes como Xangai, Zé Renato, Juliana Linhares, Julia Vargas, Ilessi, e os grupos Ordinarius, Pietá e Quarteto Maogani. Tem sete álbuns lançados, incluindo Flúor (2009), do grupo Escambo, indicado ao 21° Prêmio da Música Brasileira, Cantiga do Breu (2019), ao lado da cantora e violonista Luísa Lacerda, e o mais recente, Quarto Mundo, seu primeiro álbum solo. Como diretor musical de teatro, atuou em mais de vinte produções e foi indicado aos prêmios FITA e CBTIJ.
A cantora e violonista carioca Luísa Lacerda, formada em violão erudito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atua desde 2013, disseminando um trabalho com destaque para a divulgação de canções de novos compositores(as). Se apresentou em diversos Estados do Brasil e também fez turnês em Portugal, Alemanha, Angola, Espanha e Estados Unidos. Gravou e dividiu
palco com grandes nomes da música brasileira como Guinga, Edu Lobo, Ná Ozzetti, Patrícia Bastos, Swami Jr., Cristóvão Bastos, Amélia Rabello e Áurea Martins, e com consagradas musicistas internacionais como Varijashree Venugopal (Índia) e Lenna Bahule (Moçambique). Tem quatro álbuns e dois EPs lançados e se prepara para gravar, em 2026, um disco com o renomado grupo Quarteto Maogani.
Giuliano Eriston é multi-instrumentista, cantor e compositor nascido em Bela Cruz, no interior do Ceará. Com uma trajetória musical de dezessete anos, como cantor, já dividiu palco com Roberto Mendes, Olivia Byington, Marcos Sacramento, Pedro Miranda, Moreno Veloso, Michel Teló, Arismar do Espírito Santo, Novos Baianos, Dirceu Leite, Roberta Sá, Davi Moraes, Pedro Luís, Almir Côrtes e tantos outros. Possui 4 lançamentos fonográficos nos quais exerce função de compositor, cantor, violonista e arranjador. Dentre eles se destacam gravações com Clara Buarque,
Antônia Medeiros e Mariana Aydar. Como compositor tem parcerias lançadas com Ronaldo Bastos, Ricardo Bacelar e Dirceu Leite. Em 2021 foi campeão do The Voice Brasil. Faz direção musical residente do espetáculo Viva o Povo Brasileiro.
Escafandristas - por Gregório Duvivier
Há quem considere o popular e o erudito como retas paralelas: só se encontram no infinito. Quem acredita nisso nunca veio ao Brasil. Por aqui, nossa música vive nessa encruzilhada a impossível: aqui a filosofia faz esquina com o assobio. Quem melhor entendeu o espírito do país fez isso cantando samba. "Só é possível filosofar em alemão", disse um filósofo que nunca ouviu Chico Buarque cantando o "Tempo e o Artista". Oswald de Andrade sonhou há cem anos atrás: "a massa ainda há de comer o biscoito fino que fabrico.
"Seu sonho não se realizou. Ainda. A poesia, no Brasil, nunca ganhou estádios, como aconteceu na Rússia. Ou melhor, conseguiu, mas através da música. A canção popular, essa sim, conseguiu realizar o sonho oswaldiano. E Chico Buarque mora no encontro das paralelas: erigiu uma obra nessa encruzilhada. Francisco Buarque de Hollanda fez oitenta anos. Se o artista não fosse avesso a homenagens e celebrações, teria sido feriado nacional. As festas aconteceram sem a presença do artista: no bip bip vararam (varamos!) a madrugada tocando e cantando seis horas
de sucessos ininterruptos do Chico- sem repetir nenhuma música.
Não foi o bastante. Faltava alguma coisa. Faltava isso: os Escafandristas, grupo recém-formado com o único objetivo de celebrar a vasta obra de Chico Buarque. A banda reúne
quatro dos nomes mais interessantes da nova música brasileira: Thiago Amud, Renato Frazão, Luisa Lacerda e Alice Passos. Cada um encontrou a sua maneira de ser ao mesmo tempo autoral e popular, sofisticado e generoso com quem ouve, cômico e poético, cínico e apaixonado. Como Chico Buarque. Afinal Chico não está sozinho nessa encruzilhada do transcendente e do imanente sob a forma da canção. Deixou uma legião de filhos e netos, compositores e letristas que acreditam que a melodia sinuosa é compatível com a palavra cantada e usam a canção pra contar histórias e fundar mundos. Amud, Frazão, Lacerda e Passos, para além de cantores e instrumentistas, são "cantautores"e, dos melhores que há. Produziram o que ouvi de melhor nos últimos anos no quesito letra e música trabalhando juntos, naquele casamento perfeito, como tem que ser. Aqui, no entanto, o quarteto não cantará suas próprias composições mas se dedicará exclusivamente a celebrar a vasta obra do seu maestro soberano - no caso, Chico. Tão vasta que me surpreenderam, no repertório, com músicas que nunca ouvi – eu que achei que tivesse exaurido Chico Buarque, e conhecesse até o lado B. Ledo engano. Chico não tem dois lados, mas trinta e sete. Os quatro provam que ainda há muitos mundos a se explorar dentro do universo buarquiano: fragmentos de carta, mentiras, poemas, retratos, vestígios de estranha civilização. Não se afobe não, que nada é pra já: dia XX de outubro, no teatro XX, eles estarão lá. É um time dos sonhos, e sonhos, você sabe, sonhos, sonhos são.
Gregório Duvivier
Postado por Usuário brisa
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📅 09 de julho de 2026
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