PROF. JOSÉ MOISÉS RIBEIRO – Criar Franca
TEXTO I
A violência escolar e a crise da autoridade docente
Júlio Groppa Aquino*
RESUMO: O presente artigo discute a relação entre os conceitos de violência e autoridade no contexto escolar e, particularmente, na relação professor-aluno. Para tanto, contrapõe uma leitura de cunho institucional da violência escolar às abordagens clássicas da temática, demonstrando a tese de que há um quantum de violência “produtiva” embutido na ação pedagógica.
Palavras-chave: violência escolar, relação professor-aluno, autoridade docente, instituição escola
Várias são as possibilidades de análise ou reflexão que se descortinam quando alguém depara, quer empírica quer teoricamente, com a indigesta justaposição escola/violência, principalmente a partir de seus efeitos concretos: a indisciplina nossa de cada dia, a turbulência ou apatia nas relações, os confrontos velados, as ameaças de diferentes tipos, os muros, as grades, a depredação, a exclusão enfim. O quadro nos é razoavelmente conhecido, e certamente não precisamos de outros dados para melhor configurá-lo.
A imagem, entre nós já quase idílica, da escola como locus de fomentação do pensamento humano – por meio da recriação do legado cultural – parece ter sido substituída, grande parte das vezes, pela visão difusa de um campo de pequenas batalhas civis; pequenas mas visíveis o suficiente para causar uma espécie de mal-estar coletivo nos educadores brasileiros. Como se posicionar perante tal estado de coisas?
No meio educacional, duas parecem ser as tônicas fundantes que estruturam o raciocínio daqueles que se dispõem a problematizar os efeitos de violência simbólica ou concreta verificados no cotidiano escolar contemporâneo: uma de cunho nitidamente sociologizante, e outra de matiz mais clínico-psicologizante.
No primeiro caso, tratar-se-ia de perseguir as conseqüências, geralmente conotadas como perversas, das determinações macroestruturais sobre o âmbito escolar, resultando em reações violentas por parte da clientela.
No segundo, de pontificar um diagnóstico de caráter evolutivo, quando não patológico, de “quadros” ou mesmo “personalidades” violentas, influenciando a convivência entre os pares escolares. Em ambos os casos, a violência portaria uma raiz essencialmente exógena em relação à prática institucional escolar: de acordo com a perspectiva sociologizante, nas coordenadas políticas, econômicas e culturais ditadas pelos tempos históricos atuais; já na perspectiva clínico-psicologizante, na estruturação psíquica prévia dos personagens envolvidos em determinado evento conflitivo. Vale lembrar que uma combinação de tais perspectivas também pode surgir como alternativa à compreensão de determinada situação escolar de caráter conflitivo, por exemplo, num diagnóstico sociologizante das causas acompanhado de um prognóstico psicologizante em torno de determinados “casos-problema” – o que, inclusive, acaba ocorrendo com certa freqüência no dia-a-dia escolar.
Em termos especificamente institucionais, a ação escolar seria marcada por uma espécie de “reprodução” difusa de efeitos oriundos de outros contextos institucionais molares (a política, a economia, a família, a mídia etc.), que se fariam refletir no interior das relações escolares. De um modo ou de outro, contudo, a escola e seus atores constitutivos, principalmente o professor, parecem tornar-se reféns de sobredeterminações que em muito lhes ultrapassam, restando-lhes apenas um misto de resignação, desconforto e, inevitavelmente, desincumbência perante os efeitos de violência no cotidiano prático, posto que a gênese do fenômeno e, por extensão, seu manejo teórico-metodológico residiriam fora, ou para além, dos muros escolares.
* Mestre e doutor em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da USP, e docente na Faculdade de Educação da USP, área de Psicologia da Educação. Autor de Confrontos na sala de aula: Uma leitura institucional da relação professor-aluno (1996), e organizador/co-autor das coletâneas Indisciplina na escola (1996), Sexualidade na escola (1997), Erro e fracasso na escola (1997), Diferenças e preconceito na escola (1998), editadas pela Summus. 8 Cadernos Cedes, ano XIX, nº 47, dezembro/98
MANIFESTO:
Instrução: faça um manifesto no qual expresse sua intenção de romper com a alienação em prol da harmonia. O Manifesto deve trazer: A) manifestação de vontade; B) conclamação; C) proposta efetiva de solução (“hipótese”).
EXEMPLO:
A construção de um país livre de falcatruas e com uma condição ética é necessidade veemente. Sejamos mais francos e dispostos a romper com as amarras da alienação. Façamos da esperança uma bandeira, mas com obras bem definidas. Deixo evidente o meu desejo de contribuir para a erradicação dos instrumentos de alienação e lutar pelo discernimento constante.
A destruição de velhos dogmas faz-se necessária, pois o conservadorismo anula a construção de uma melhor afirmação crítica. A violência nas escolas só será rompida com o envolvimento de toda a população. É nosso dever reagir ao tédio. O compromisso de escola e família deve ser orientado por um desejo de superação do ódio, da revanche e pelo prazer da educação realçado. Firmo o meu compromisso de auxiliar na orientação dos jovens e aguçar o seu desejo pelo justo.
Só o envolvimento de uma coletividade poderá superar os entraves que impedem o real crescimento do indivíduo. A violência está dentro e fora dos muros escolares. É nosso dever, como cidadãos preocupados com a integridade, dissolvermos a nódoa das agressões e trabalharmos juntos pelo protesto em prol da harmonia e do crescimento incontido do saber. (José Moisés)
Observação: o manifesto deve conter um desejo de cidadania muito claro. É impreterível mover esforços para que a argumentação sustente a manifestação de participação cidadã. A clareza e a objetividade devem constar desta disposição.
CARTA: faça uma carta e enderece ao governador e peça providências sobre a violência nas escolas.
EXEMPLO:
Ribeirão Preto, 09 de novembro de 2011.
Excelentíssimo Governador,
Sou estudante secundarista e tenho desejo de cursar uma boa faculdade pública. Meu ensejo é de fazer com que o colégio seja o caminho mais tranquilo para minha caminhada. Conheço sua determinação em prol da educação, mas escrevo esta carta para mostrar que as escolas tornaram-se um antro de abusos e agressões e peço-lhe providências com a intenção de acabar com tal condição.
Peço-lhe atenção para as nossas necessidades, pois é crucial romper com o medo e enfrentar os problemas com muito esmero. A situação de distúrbios escolares reflete a própria condição social. Quero que o senhor seja o elo entre as famílias e a comunidade estudantil. Não bastam medidas “curativas”, pois é essencial que haja orientação e, claro, coerção dentro de condições módicas.
Acredito, senhor governador, e peço o seu empenho, que o melhor caminho para o crescimento é o esclarecimento. É preciso acabar com o medo e a violência, pois é necessário que tenhamos prazer em freqüentar as escolas. A atitude sociologizante é primordial, pois a harmonia e a melhora do IDH dependem da solidez administrativa e ética.
Atenciosamente
Observação: a carta deve conter a estrutura organizada de maneira formal, como no exemplo. É importante pensar que é um texto persuasivo, logo exige argumentação forte. Use a interlocução e preserve a condição objetiva e a clareza. Use a coletânea, mas sem copiá-la.
ARTIGO DE OPINIÃO: faça um artigo de opinião e mostre a sua visão sobre a evidente condição de violência dentro das escolas brasileiras.
As escolas brasileiras passam por um momento de perda de identidade. A violência assola a comunidade e escancara a ferida de um sistema falho. Sou favorável à coerção, mas sem esquecer da condição social como fator macroconflitante. Quero ser um dos protagonistas de uma mudança, pois sem educação de qualidade não há reformas reais.
A coerência nos aproxima da construção ideal de sociedade. Os atos de abusos e de violência dentro de um ambiente de formação, não só me entristecem, como me mostram a necessidade de intervenção das autoridades. A atitude de equilíbrio só será alcançada com o envolvimento de todo o conjunto social, coadunando com o pensamento do Dr. Júlio Groppa.
Consigo conceber uma possibilidade de melhora, de evolução. Ela virá com a extirpação de atos de violência, com o esmero em prol da construção de uma sociedade de justiça. Não posso ser conivente com os atos de vandalismo e desrespeito. Uma sociedade melhor e justa precisa nascer de um ambiente escolar que gere formação irrestrita. (José Moisés)
Observação: o artigo de opinião deve conter uma construção de cunho incisivo. A subjetividade deve ser temperada com argumentos sólidos e convincentes. Não se esqueça de trabalhar com a proposta de forte evidência crítica e que tenha como base a disposição de enfoque social, mas não se esqueça do uso da coletânea.
TEXTO II
NA FEIRA A GENTE ENCONTRA DE TUDO…: ASPECTOS DA FORMAÇÃO ESPACIAL DA FEIRA-LIVRE DE ABAIARA – CEARÁ
Ma. Anna Erika Ferreira Lima (Professora do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia – IFCE – Limoeiro do Norte – Curso de Saneamento Ambiental) – annaerika@ifce.edu.com
Prof. Dr. José Levi Furtado Sampaio (Professor do Curso de Pós-Graduação em Geografia – UFC) – joselevi@uol.com.br
Resumo
A constituição do excedente de produção na história está diretamente ligada à divisão social do trabalho, que levou ao surgimento de diversas funções especializadas à sociedade, tais como o sacerdócio, a administração, a própria função militar e assim ao surgimento de atividades que possibilitariam um escoamento do excedente, como as feiras-livres. Assim, a presente pesquisa versa sobre o papel da feira-livre na organização do espaço da pequena cidade de Abaiara – Ceará, localizada à 570 km da capital cearense, onde considerou-se a evolução geohistórica do município e dessa atividade, além dos aspectos de distribuição, socialização dos que dela se beneficia, posto que tal prática destaca-se no cenário regional do Cariri por dinamizar a relação campo-cidade. A metodologia versou sobre fases de apanhado teórico, trabalhos de campo e sistematização dos resultados. Ademais, se considera as feiras-livres como fenômenos econômicos e sociais antigos que remontam aos primeiros agrupamentos humanos. Em Abaiara, a feira-livre semanal tem se mantido por estabelecer um ambiente essencial para aquisição de produtos por seus populares e por ser uma prática tradicional em toda a região. Como uma modalidade periódica de comércio, elas desempenham um papel importante no abastecimento urbano e para o rural possibilitou que esse contingente populacional conseguisse vender o que excede em sua produção e ainda pudesse adquirir produtos os quais não produziam desde ferramentas a roupas e utensílios domésticos. É nesse espaço vivido que evoluem e se desenvolvem as relações entre a cidade e o “campo”.
Palavras-chaves: feira-livres, espaço, campo-cidade
TEXTO III
O Congado Brasileiro: “Só o Rosário nos une”
Congada, Congado ou Congo são nomes genéricos dados ao conjunto de elementos que circundam uma Festa de Reinado de tradição afro brasileira, onde se faz a coroação de «Reis e Rainhas Congo» em louvor a um santo negro. As festas são organizadas por Irmandades ou pelo grupo com os seus brincantes, tocadores, capitães, reis, rainhas, cozinheiros, ajudantes e mestres que fazem procissões, realizam missas e levantam mastros. Essas características que falo são generalizantes, pois em cada localidade esses grupos tem uma dinâmicas e características próprias.
As festas de Reinado no Brasil com devoção a santos negros, como Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, são tradições mantidas em diversas localidades, com destaque para Minas Gerais, São Paulo e Goiás, porém existem grupos do Rio Grande do Sul até o Pará, mesmo que isolados, mas que conseguiram resistir e reinventaram se no mundo de hoje e ainda comemoram suas festas, como no interior do Pará, na Vila da Juaba em Cametá-PA, o Bambaê do Rosário ou em Sergipe com os Cacumbis, Cheganças e Taiera, que mantém uma tradição muito bonita de Coroação, procissão e embaixadas, e ainda em muitas outras localidades. Historicamente, sua origem remonta ao Brasil colonial, existem irmandades de quase 300 anos de existência, com certeza essa é uma das tradições mais antigas em atividade no nosso país,além disso, está presente na quase totalidade de nosso País, realmente precisamos olhar como mais atenção para essa tradição. Uma das fundamentações míticas do Congado, nesse caso em Minas Gerais diz que as guardas se formaram, quando uma imagem de Nossa Senhora do Rosário apareceu no mar. O grupo do Congo se dirigiu para a areia tocando seus instrumentos, só conseguiu fazer com que a imagem se movesse uma vez: Nossa Senhora se encaminhou para a frente e parou. Então vieram negros moçambiqueiros, batendo seus tambores, cantando para a santa e pedindo-lhe que viesse protegê-los. A imagem veio se encaminhando, no movimento das ondas, até chegar à praia e depois foi em cima do tambor para a capela de palha, por isso moçambique é lento ou compassado, pois está carregando a santa. Existem várias outras versões e de região pra região ela muda no Goiás ela aparece na Caverna, no Vale do Paraíba, onde o culto mais forte é em louvor a São Benedito, contam e cantam que ele era cozinheiro e Africano morando em Lisboa e nas horas vagas cria o Moçambique pra lembrar da África. Na Vila da Juaba em Cametá-PA, diz que a santa foi levada enrolada numa trouxa de roupa até o Quilombo do Mola por uma escrava. No Espírito Santo falam de um barco que naufraga e os negros pedem para São Benedito para salva-los e como gratidão criam as Bandas de Congo. Aos poucos mostraremos mais um pouco das festas de Congado por todo Brasil. (extraído do site WWW.selomundomelhor.org / 06/07/2009)
Usando o recorte temático dos textos II e III escreva uma entrevista. Nela você deverá entrevistar um morador, esclarecido, sobre a importância das feiras livres e de atos como o congado para a manutenção das raízes culturais. Escreva um artigo de informação no qual você mostre ao leitor elementos essenciais do Congado.
ENTREVISTA (modelo – José Moisés)
A presente entrevista com o senhor João da Silva tem o interesse de pesquisar as raízes culturais e sua importância para a formação cultural de um povo.
Autor: gostaria de saber por que as feiras são tão importantes para o intercâmbio e como elas estão presentes na vida contemporânea?
João da Silva: as feiras são manifestação original e popular. Elas representam a formação de um entrosamento perfeito entre vendedores, compradores e movimentam todo um eixo de convivência. Os grandes centros, embora muito dinâmicos, conseguiram manter as feiras como elo com o passado e valor de ambientação do presente. Elas são componentes sociais e arquitetônicos, espontâneos, das cidades.
Autor: Por que as manifestações populares e folclóricas, como as feiras e o congado, traduzem a dimensão de cultura popular?
João da Silva: eles são muito próprios da condição gregária do ser humano. É através deste tipo de manifestação que se resgatam amizades, estimulam-se as raízes e criam-se elementos de preservação social. A participação de todas as gerações faz com que sejam perpetuados costumes, mantidas as crenças e, principalmente, aguçado o convívio harmonioso.
Observação: a entrevista deve conter elementos de ordem crítica. As perguntas não devem ser óbvias, retóricas. É importante que existam elementos de complexidade, de densidade nas respostas. A argumentação nítida é fator imponderável e com objetividade e clareza.
ARTIGO DE INFORMAÇÃO (MODELO – José Moisés)
O congado é um modo de manifestação sincrética muito evidente. Nele a religião católica fundiu-se ao modo de manifestação festiva da África. Os elementos reunidos foram capazes de casar com o modo irreverente, mas devotado do brasileiro. Ocorre, principalmente, em comunidade do interior.
Os “ternos”, como são chamados os grupos, são formados com líderes tradicionais. A condição hereditária é muito evidente e os pais doutrinam seus filhos, pelo costume, para seguirem os preceitos familiares. Moçambique é o maior elemento de influência para esta manifestação. As festas de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Santa Ifigênia são os momentos de realização dos eventos.
As irmandades são organizadas e conseguem gerir fundos para as manifestações. Os brincadores, os capitães, os tocadores, os cozinheiros reúnem-se e traduzem fé e alegria. As missas são momentos de influência incontestável da religiosidade cristã que se juntou às tradições africanas.
Observação: no artigo de informação é crucial os elementos: quem; onde; como; por que e quando. São elementos comuns na notícia e reportagem, também. O artigo, porém, é mais complexo e capaz de mostrar uma situação ampla.