Depois de 9 anos do último lançamento (Greendale de 2003), Neil Young anuncia, que ele e os fiéis escudeiros do Crazy Horse (entre brigas e voltas desta parceria já se passaram muitos anos e vários ótimos discos) estão ensaiando e lançarão não um, mas dois novos álbuns ainda neste ano de 2012. Um deles já tem até nome e repertório. Se chamará “Americana”, só com versões de músicas folclóricas que fizeram parte da história dos EUA.
Ouvi falar a primeira vez de Neil Young por indicação de um amigo da faculdade, isso em 89. Mas naquela época não dava para chegar em casa e baixar a discografia do cara pela internet. Ouvir mesmo, só quando comprei o LP Ragged Glory de 90.
E sou mesmo um cara de sorte! Pois já pego um dos melhores discos dele e da Crazy Horse. Na minha opinião o disco mais Rock deles. Um disco seminal, orgânico que está historicamente e intimamente ligado ao início do Grunge. Aquelas guitarras barulhentas e os vocais “quase” ou “praticamente” desafinados, os riffs de guitarra e a autenticidade da banda gravando me pegaram de jeito. Como acontece hoje, naquela época também Neil Young estava há algum tempo sem gravar com os Crazy Horse. Se reúnem então no estúdio (retratado na foto em grande angular na capa do disco) e cometem esta preciosidade, ao vivo, como se fosse uma jam session. Algumas músicas passam de 10 minutos (“Love to Burn” e “Love and Only Love”), em meio a solos e muita microfonia. Este espírito ao vivo que dá a autenticidade ao disco, em alguns momentos dá para perceber Neil Young se afastando do microfone enquanto canta.
A primeira paulada é “Country Home”, uma música dos anos 70 que a banda nunca havia gravado, e que mostra na letra um pouco do estilo de vida meio recluso escolhido por Young, quando canta: “I’m thankful for my country home, it gives me peace of mind. Somewhere I can walk alone and leave myself behind”. “White Line” também vem do repertório antigo da banda.
“Fuckin´Up” foi tocada em vários shows pelo Pearl Jam anos depois, “Over and Over” e “Mansion on the Hill” parecem ser as mais comerciais e trabalhadas do disco, inclusive com vídeo clip, em um outro momento da indústria musical, quando isso era importante e muito distante do posicionamento que Neil Young tem hoje.
“Days That Used to Be” mantém o clima rock, com riffs, solos e refrão poderoso. “Farmer John” é um cover garageiro dos anos 60. “Mother Earth” finaliza o disco com muita emoção e mais barulho ainda, sendo uma releitura ecológica atualizada do folk tradicional “The Water is Wide”.
Neil Young & Crazy Horse – Ragged Glory (1990)
01. Country Home
02. White Line
03. Fuckin´ Up
04. Over and Over
05. Love to Burn
06. Farmer John
07. Mansion on the Hill
08. Days That Used to Be
09. Love and Only Love
10. Mother Earth (Natural Anthem)
Banda: Neil Young (vocal, guitar) / Frank “Poncho” Sampedro (guitar, vocal) / Billy Talbot (bass, vocal) / Ralph Molina (drums, vocal).
No podcast você escuta: 01. Country Home / 02. Fuckin´Up / 03. Over and Over / 04. Mansion on the Hill / 05. Days That Used to Be.
Aqui o clip de Over and Over:
Mas sempre é bom ver os caras ao vivo, então aqui com o Pearl Jam (mostrando sua influência no Grunge), tocando Fuckin´ Up na passagem de som do Rock´n`Roll Hall of Fame de 95.
















